O silêncio que antecede a primeira palavra numa apresentação é sempre feito de um nervosismo miudinho, quase infantil. Mas ontem, na Feira do Livro da Maia, esse sentimento desfez-se no instante exato em que olhei para a plateia.
Mais do que falar sobre as páginas que escrevi, o que verdadeiramente importou foi o invisível.
Foi sentir, no brilho de cada olhar atento e na cumplicidade de quem me ouvia, que aquelas palavras já não eram só minhas. Ver aquelas pessoas ali, generosas, a despenderem o seu tempo precioso para partilharem aquele momento comigo, tocou-me no lugar mais fundo da alma.
Não foi apenas um lançamento; foi um encontro de corações. A vossa participação, as vossas perguntas e o vosso carinho transformaram um espaço público num lugar caloroso e íntimo.
Saí dali com o peito cheio, infinitamente mais rico do que quando entrei.
Resta-me uma gratidão imensa, daquelas que não cabem em palavras, e uma certeza: ontem, na Maia, eu senti-me verdadeiramente em casa.
Obrigado por estarem lá.

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