Há uma coisa muito portuguesa: antes de perguntar o nome a um turista, já lhe arranjámos uma alcunha. É um talento nacional.
Não catalogamos pessoas, catalogamos passaportes com sentido de humor.
Os ingleses são os Bifes, como se tivessem nascido todos com um prato de carne e um ar ligeiramente escaldado pelo sol algarvio. Os franceses emigrados que regressam em agosto são os Avecs, porque conseguem encaixar um "avec" em cada duas frases, mesmo quando pedem um café. E depois há os Camones, essa designação generosa para quem fala inglês, venha de Londres, do Texas ou da Nova Zelândia.
Para muitos ouvidos portugueses, basta um "excuse me" para o passaporte ficar imediatamente carimbado de "camone".
O curioso é que estas alcunhas raramente são maldosas ou mal-intencionadas. São uma espécie de atalho linguístico, temperado com ironia e um certo carinho.
A verdade é que o português gosta tanto de inventar nomes como gosta de dar indicações erradas com toda a convicção.
No fundo, é a nossa forma de dizer "bem-vindo". Uns oferecem um mapa da cidade; nós oferecemos uma alcunha. E, convenhamos, isso tem muito mais personalidade.
Imagem: Pixabay

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