Enquanto caminho encontro por vezes portas que não se abrem — e fico a pensar se o silêncio delas é um recado ou proteção. Quantas vezes insistimos em puxar maçanetas que não nos pertencem, como se cada passagem fosse um destino obrigatório?
Talvez o verdadeiro enigma esteja aí: será que a porta fechada é um obstáculo… ou um gesto de cuidado do próprio caminho? Há portas que se mantêm trancadas porque não estamos prontos, e outras porque simplesmente não são nossas. E eis que surge a dúvida que acompanha qualquer viajante atento: como distinguir entre a desistência e a sabedoria? Entre o impulso de forçar a entrada e a coragem de seguir em frente?
A vida pede-nos menos chaves e mais escuta.
Porque nem todas as portas se devem abrir e, provavelmente, as que permanecem fechadas sejam precisamente as que nos empurram para onde realmente precisamos ir.
Imagem: Pixabay

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