A iliteracia digital tornou-se uma nova forma de exclusão.
Hoje, quase tudo depende de um ecrã (marcar consultas, tratar documentos, procurar emprego ou comunicar com serviços públicos) e quem não domina as ferramentas digitais fica encurralado numa espécie de invisibilidade social. Muitos idosos, desempregados e pessoas com menos escolaridade são empurrados para a margem, não por falta de inteligência, mas porque a sociedade decidiu avançar à velocidade da tecnologia sem garantir que todos conseguissem acompanhar.
O problema agrava-se quando a própria burocracia deixa de oferecer alternativas humanas. As filas desapareceram de muitos balcões, mas foram substituídas por plataformas confusas, palavras técnicas e sistemas frios que exigem competências que milhões não possuem. Para os mais vulneráveis, cada clique errado pode significar uma prestação perdida, um apoio recusado ou um direito adiado. A modernização, quando não é acompanhada por educação e apoio acessível, transforma-se num instrumento de desigualdade.
Mais inquietante ainda é perceber que esta exclusão cria dependência e vulnerabilidade à manipulação.
Quem não compreende o mundo digital torna-se presa fácil de burlas, desinformação e abusos. A iliteracia digital não é apenas uma falha técnica, é uma fragilidade social que expõe os mais frágeis ao isolamento, à humilhação e à perda de autonomia.
Uma sociedade verdadeiramente desenvolvida não é aquela que digitaliza tudo, mas aquela que garante que ninguém fica para trás.
Imagem: Pixabay

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