Acontece às vezes este absurdo moderno: uma mulher interrompe um artista, faz uma patetice qualquer, um gesto vazio, um ruído sem intenção e, de repente, o mundo vira a cabeça na direção dela. Não pela substância, não pela coragem, não pela beleza do que diz, mas pela facilidade com que a distração se veste de espetáculo.
O episódio, nascido de nada, cresce como erva daninha. Viraliza. É comentado, refeito, remixado, transformado em meme, em manchete, em “conteúdo”.
A televisão, sempre faminta por ruído, acolhe-a como “a mulher do momento”, como se o momento não fosse apenas um reflexo da nossa própria distração coletiva.
E assim chegamos ao pináculo da estupidificação: o topo é alcançado não por quem constrói, mas por quem tropeça; não por quem pensa, mas por quem interrompe; não por quem tem algo a dizer, mas por quem faz uma parvoíce no lugar certo, à hora certa, diante das câmaras certas.
Porque enquanto a patetice sobe ao palco, o artista, aquele que tentava criar, comunicar, tocar alguém, fica reduzido a cenário. E nós, espectadores, ficamos reduzidos a consumidores de ruído, confundindo barulho com relevância, distração com importância, viralidade com valor.
Talvez o verdadeiro escândalo não seja ela ter chegado ao topo.
Talvez o escândalo seja o topo estar tão baixo.

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