Há dias em que a natureza decide escrever por nós, impondo um ponto final onde devia estar uma vírgula de sobressalto e abraço.
É com o coração pesado que vos trago esta notícia: devido ao mau tempo e à chuva inexorável que assola o Porto, a minha presença na Feira do Livro teve de ser cancelada.
Guardava nos bolsos a ansiedade boa dos reencontros, a vontade de olhar nos olhos de cada um de vós, de trocar palavras com cheiro a papel e de vos agradecer por tornarem este caminho possível. Saber que os Jardins do Palácio de Cristal hoje se vestem de névoa e vento em vez do calor do nosso convívio deixa-me um nó desmedido na garganta. Os livros até sabem resistir à intempérie, mas a prudência obriga-nos a recolher.
O tempo fechou-se lá fora, mas o carinho por esta cidade e por quem aqui me espera permanece intocado.
Os abraços que ficaram por dar ficam guardados, com a promessa firme de que nos leremos e veremos muito em breve, sob um céu mais clemente. Até já.
Imagem gerada por IA

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