Fechar um livro ao meio e devolvê-lo à prateleira, exige coragem. Crescemos a ouvir que terminar o que começamos é uma virtude, mas a literatura não deve ser uma sentença de prisão nem uma obrigação moral.
Ler é uma dança entre duas mentes, a de quem escreve e a de quem descobre e, como em qualquer encontro, nem todas as melodias encaixam ao mesmo ritmo.
As primeiras cinquenta páginas são uma conversa inicial. Se o texto tropeça, se as palavras pesam e a curiosidade não acende, não há razão para insistir. Fechar a capa sem culpa é um ato de profundo respeito pelo teu tempo. A vida é demasiado breve, as horas do dia demasiado contadas e os dias curtos demais para adiar a magia de uma história que te faça esquecer o relógio.
Não estás a desistir de uma obra; estás simplesmente a abrir caminho para o livro certo.
Algures numa estante, há uma narrativa à tua espera, pronta para te prender a respiração logo na primeira linha. Liberta-te do peso da página seguinte e corre ao encontro daquilo que realmente te move.
Já leste Nas sombras da perfeição? Se esse ou qualquer outro livro te está a custar, fica aqui o desafio: ganha a coragem de o fechar hoje mesmo sem remorsos e vai procurar aquela história que verdadeiramente te agarra.

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