Guerra comercial, pânico sanitário



A notícia da SIC Notícias evoca uma inevitável sensação de déjà vu. Ao ler que uma “Guerra comercial pode deixar os EUA com um problema… de papel higiénico”, torna-se impossível não recordar o texto que escrevi em 07.02.2025. Na altura, retratei a irracionalidade da corrida desenfreada às prateleiras dos supermercados em Portugal, onde a resposta da população a uma crise sanitária global se resumiu ao pânico e ao açambarcamento de celulose. 
A tragicomédia da condição humana reside na forma como o orgulhoso Homo Sapiens se desmorona perante a ameaça da escassez. 
Em pleno confinamento, assistiu-se à transformação de cidadãos pacatos em caçadores-coletores de folha tripla e aroma a lavanda, construindo autênticos bunkers sanitários na despensa. A civilização moderna, dotada de tecnologia e ciência avançada, reduziu a sua grande prioridade existencial à garantia de metros de papel absorvente. 
Agora, a paródia ganha uma dimensão global ao ver a maior potência do mundo enfrentar o mesmo dilema existencial devido a disputas comerciais. 
Mudar de contexto não altera a natureza da espécie: perante a geopolítica e a economia, a maior fragilidade humana continua a ser a sua retaguarda. 
No fundo, a história não se repete, apenas precisa de ir à casa de banho outra vez.

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