A queda mais profunda acontece sempre em silêncio. Há instantes em que o mundo continua a girar com a mesma pressa de sempre, mas dentro de nós algo abranda, escurece, perde o contorno. É como se uma sombra se estendesse devagar, ocupando espaços que antes eram claros, e ninguém à nossa volta percebesse o movimento. Continuamos a sorrir, a responder, a existir, enquanto uma parte íntima procura luz onde já não encontra.
Esses crepúsculos interiores não anunciam a sua chegada. Instalam se. E, quando damos por isso, já estamos a caminhar por corredores que só nós conhecemos, tentando não tropeçar no que sentimos.
Ainda assim, há uma estranha beleza nessa escuridão: ela revela o que realmente importa, o que resiste, o que permanece aceso apesar de tudo.
Talvez seja isso que nos salva, a pequena centelha que insiste, mesmo quando o resto se recolhe. A coragem de continuar a procurar saída dentro do próprio labirinto. A certeza de que, por mais longa que seja a noite, há sempre um ponto onde a luz volta a aprender o caminho.
Imagem: Pixabay

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