O primeiro dia de férias tem sempre um aroma diferente. É o cheiro da liberdade reconquistada, misturado com a maresia viva que só a nossa costa sabe oferecer. Acomodei a toalha na areia ainda morna, olhei para a imensidão azul e percebi que o peso de meses de trabalho começava, finalmente, a dissolver-se na brisa.
O Atlântico, implacável e magnético como sempre, esperava-me com aquela sua habitual energia esmagadora. A entrada na água foi um choque elétrico. O mar gélido do Norte fez parar a respiração por uns segundos, cortando a pele com uma frescura agreste que desperta a alma da cabeça aos pés. Mas há algo de profundamente purificador nessa água fria: ela obriga-nos a estar totalmente presentes.
Entrar nessa imensidão gelada não foi apenas um banho de mar, foi um batismo de recomeço, arrancando a fadiga e devolvendo a vitalidade ao corpo.
Entreguei-me ao mar e a uma longa ausência que durou horas, deixando-me levar pelo ritmo das ondas e pelo sol que ia dourando a tarde. Quando finalmente regressei ao meu lugar na areia, encontrei a toalha, o livro, os óculos de sol e a mochila exatamente como os tinha deixado. Intactos, intocados, cobertos apenas por uma fina camada de sal e vento. Nem por um segundo houve o sobressalto ou a desconfiança que a pressa do mundo moderno tantas vezes nos tenta impor.
Ali, de pé, a secar ao sol enquanto observava as famílias a rir, os idosos a conversar e os jovens a jogar à bola, senti uma profunda onda de orgulho.
A verdadeira riqueza de uma nação não se mede pelo ouro, mas pela integridade do seu povo.
Num mundo que tantas vezes parece desconfiado e individualista, comprovei na pele que este canto da Europa conserva algo de incrivelmente nobre. Portugal continua a ser um porto de abrigo seguro, uma terra de gente com honra, onde o respeito pelo próximo ainda é o alicerce invisível que nos permite viver em paz.

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