Quando o silêncio chega


Ainda ontem, a casa estava cheia: risos barulhentos, portas que batiam, uma confusão cansativa, porém aconchegante. Hoje, há silêncio. Um silêncio verdadeiro, quase suspeito, como se a vida tivesse saído sem avisar.

Passamos anos a pedir um bocadinho de sossego, e quando ele chega... pesa. Porque, no meio de todo aquele barulho, estava o que mais importava, ainda que, na altura, isso não parecesse.

O tempo não corre, foge. E nós, distraídos com pressas e rotinas, só damos por isso quando já só restam ecos.

Será esse o truque cruel da vida? Só entendemos o valor dos dias barulhentos quando eles já não voltam. Ficam as memórias, meio gastas, meio doces, a fazer companhia ao silêncio, e a lembrar-nos, baixinho, que fomos felizes sem dar por isso.


Imagem: Pixabay

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