Uma mão cheia de nada é aquele troféu invisível que a vida nos entrega quando achamos que vamos sair a ganhar.
Pesa o suficiente para nos fazer pensar que conquistámos algo, mas leve o bastante para desaparecer quando tentamos mostrá-lo aos outros. É o resultado impecável de grandes planos, longas esperas e expectativas altas, tudo embrulhado em ar.
No fundo, é só isto: a prova de que até o vazio sabe ocupar espaço quando lhe damos importância demais.
E o mais curioso é que, apesar de vazia, essa mão cansa. Cansa pelo esforço de a manter fechada, pela teimosia de fingir que há ali conteúdo, pela necessidade quase teatral de sustentar uma ausência como se fosse conquista. Talvez o truque esteja em abri-la sem cerimónia, não para mostrar o nada, mas para finalmente deixar de o segurar como se fosse tudo.
Imagem: Pixabay

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