A liberdade não floresce apenas quando abrimos as portas, mas, muitas vezes, no momento exato em que decidimos fechá-las. Existe uma mística quase proibida no ato de dizer "não". Fomos ensinados que a bondade é sinónimo de disponibilidade infinita, que a polidez exige o sacrifício do nosso tempo e que a aceitação é o único caminho para a pertença. Mas a verdade é mais audaz: o "não" é o cinzel que esculpe a nossa verdadeira identidade.
Dizer não é um ato de ousadia. É a reivindicação de um território sagrado onde mais ninguém tem autoridade.
Quando recusamos o que não nos serve — o convite por obrigação, o projeto que drena a alma, a expectativa alheia que nos sufoca — estamos, na verdade, a dizer um claro "sim" à nossa própria essência.
Há um prazer indescritível, uma leveza quase física, que surge logo após a firmeza da negação.
É a coragem de ser impopular para ser autêntico.
Ao ousarmos dizer não, deixamos de ser um reflexo dos desejos dos outros para nos tornarmos os arquitetos do nosso próprio destino.
Imagem: Pixabay

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