O peso das palavras que não dizemos

 


A frase é dura, mas carrega uma verdade antiga: há diálogos que não valem o fôlego que lhes damos. No fundo, “aos burros dá-se palha, não conversa” lembra-nos que nem todas as mentes estão abertas, nem todos os ouvidos querem realmente ouvir. 
Há quem confunda opinião com verdade, teimosia com carácter, barulho com razão. E a certa altura percebemos que insistir é apenas desperdiçar luz onde só há sombra. 
Há um momento de sabedoria (raro, mas libertador), em reconhecer que a nossa palavra não tem de ser oferecida a quem não a sabe acolher. 
Que o silêncio, às vezes, é a forma mais elegante de preservar a própria dignidade. 
Conversar é um acto nobre, mas só floresce onde existe terreno fértil. E há terrenos que, por mais que tentemos, nunca deixarão de ser estéreis.

Imagem: Pixabay

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