A nobreza da imperfeição


 

A perfeição é uma ideia fria. Não transpira, não hesita, não treme diante da escolha difícil. É um desenho geométrico traçado com régua e esquadro, sem margem para o erro e, talvez por isso mesmo sem espaço para a vida. 
O ser humano, pelo contrário, é feito de fissuras. Falha, recua, engana-se. Ama mal e aprende tarde. Carrega culpas, cicatrizes e dúvidas. Mas é nessa imperfeição que traz o que há de mais autêntico: a capacidade de recomeçar. 
A falha não nos diminui, revela-nos. Mostra onde somos frágeis e, ao mesmo tempo, onde podemos ser maiores do que fomos ontem. 
O perfeito é desumano porque não sente o peso da escolha nem a dor da consequência. Não conhece o arrependimento, nem a ternura que nasce depois dele. A humanidade constrói-se no erro reconhecido, no pedido de perdão, na tentativa sincera de fazer melhor. 
Ser humano é aceitar que a beleza não está na ausência de falhas, mas na coragem de continuar apesar delas.

Imagem: Pixabay

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