A segurança que prende

 


Custa tanto mudar porque as nossas formas de pensar, agir e ser raramente são escolhas conscientes do presente. São, na verdade, formas de sobrevivência que fomos construindo ao longo dos anos. Cada hábito, cada reação automática e cada convicção profunda serviram, em algum momento, para nos proteger do medo, do desconhecido ou da dor. Mudar exige abandonar esses refúgios conhecidos, mesmo quando já não nos servem, e aceitar a vulnerabilidade de caminhar sem armadura. 
Há também uma ilusão de conforto na familiaridade. O cérebro prefere a certeza de uma dor conhecida à incerteza de um bem-estar futuro. 
Quando tentamos alterar um pensamento ou uma atitude, não estamos apenas a mudar um comportamento — estamos a confrontar a ideia de quem fomos até agora. E admitir a necessidade de mudança exige a humildade de aceitar que a nossa versão anterior já não basta para os passos que queremos dar. 
Basicamente, transformar-se dói porque implica um pequeno luto de nós próprios.

Imagem gerada por IA

Enviar um comentário

0 Comentários