A perfeição é um horizonte estático, uma linha reta traçada num vácuo onde não existe vento, nem surpresa. É, por natureza, o fim do caminho — e o que terminou já não pulsa. Uma face perfeitamente simétrica, um plano sem falhas ou uma vida sem erros pertencem ao reino das estátuas e dos algoritmos; são admiráveis, mas frios.
O humano, por outro lado, é a beleza do inacabado.
Somos o rascunho constante, a nota levemente desafinada que prova que a música é tocada por mãos que sentem, e não por máquinas que apenas executam.
A nossa humanidade não reside naquilo que conseguimos polir até ao brilho absoluto, mas nas frestas, nas cicatrizes e na coragem de sermos vulneráveis. É o tremor na voz ao dizer um "amo-te", o erro que ensina a humildade e a cicatriz que conta uma história de superação.
Se fôssemos perfeitos, seríamos deuses ou engrenagens. Sendo imperfeitos, somos pontes.
Uma alma sem arestas não teria onde se agarrar à outra. É através das nossas lacunas que deixamos o outro entrar. Amar o imperfeito é reconhecer que a vida não é uma vitrina de cristal, mas um barro moldado pelo tempo. Celebra o nosso erro, a nossa dúvida e a nossa imperfeição: eles são a prova irrelevante de que estamos, acima de tudo, vivos.
Imagem: Pixabay

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