Gostamos de acreditar que somos seres racionais e independentes, mas basta um dia de chuva para que essa convicção se desvaneça. A caminhada torna-se mais lenta, os planos mais incertos e o desânimo instala-se com uma naturalidade preocupante. A chuva transforma-se numa desculpa socialmente aceitável para cancelar encontros e adiar decisões, como se o céu assumisse responsabilidades que preferimos não reconhecer como nossas.
Quando o sol regressa, regressa também uma versão mais otimista de nós próprios. As pessoas sorriem mais, enchem esplanadas e falam de projetos com uma confiança que não existia no dia anterior. Nada de essencial mudou nas suas vidas, mas a luz cria a confortável ilusão de que tudo está melhor e, por momentos, acreditamos.
O mais irónico é que raramente admitimos essa dependência. Consultamos obsessivamente a previsão, ajustamos o humor e os planos, mas insistimos que somos livres das circunstâncias. No entanto, basta o céu escurecer para que a nossa independência vacile, provando que, afinal, talvez sejamos menos guiados pela vontade e mais pelo estado do tempo.
Image: Pixabay

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