O labirinto das máscaras



Quem são estes seres que habitam o silêncio do vácuo e preferem a glória das sombras ao calor da praça pública? O que move a mão que tece a intriga sob o manto do anonimato, senão o medo profundo de se descobrir vulnerável perante o olhar do outro?

É um exercício exaustivo, este de conspirar na penumbra. Pergunto-me: quando o rosto se esconde atrás de um pseudónimo ou de uma intenção velada, o que resta da identidade original? Será que a conspiração é, na verdade, um grito desesperado de quem não encontra em si as peças necessárias para formar um ser humano inteiro?

Viver na sombra é abdicar do risco da luz — e, sem risco, não há crescimento.

Talvez a maior tragédia destes arquitetos do escuro não seja o dano que causam, mas a vida que não vivem. Ao negarem a própria transparência, negam a possibilidade de serem amados pelo que são, e não pelo que fingem ser. Não será o momento de pousar as armas do invisível e arriscar a beleza de ser, simplesmente, um humano imperfeito, mas inteiro?

 

Imagem: Pixabay

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