A luz que ninguém vê


Ser ignorado não é apenas não ser visto; é existir em silêncio enquanto o mundo passa por nós como se fôssemos invisíveis. A dor não grita, não sangra, não deixa marcas visíveis — instala-se devagar, como poeira sobre os dias, cobrindo gestos, palavras e sonhos que nunca chegaram a alguém.

Há uma solidão particular em falar e perceber que a voz não se ouve em lugar nenhum. O olhar procura outro olhar e encontra apenas paredes. E, ainda assim, continuamos, de pé, resistindo à tentação de desaparecer por completo. Porque ser invisível dói, mas também revela: mostra quem somos quando ninguém aplaude, quando não há testemunhas. 
É nesse território árido que nasce uma força discreta. A invisibilidade ensina a escutar o próprio coração, a reconhecer o próprio valor sem espelhos externos. Obriga-nos a acender uma luz por dentro, pequena mas teimosa, que não depende de olhares alheios para existir. 
E talvez seja isso o mais inspirador: mesmo ignorados, continuamos inteiros. Mesmo invisíveis, ainda respiramos, sentimos, criamos. Um dia, alguém há de reparar. Mas, quando esse dia chegar, já teremos aprendido a verdade essencial — nunca deixámos de existir.

Imagem: Pixabay

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