Em terra de cegos, quem tem olho é rei — não por mérito absoluto, mas por contraste. Ali, a visão, não é apenas capacidade, é poder. Um poder frágil, nascido mais da ausência alheia do que da virtude própria.
Quem vê não só conduz, como escolhe a direção. E nesse gesto mora o perigo: confundir claridade com sabedoria, vantagem com justiça. O olho que enxerga pode iluminar ou ofuscar, pode servir para mostrar o mundo ou para moldá-lo à sua conveniência.
O verdadeiro teste não é ter visão, mas o que se faz com ela. Porque reinar entre cegos exige mais do que ver — exige a coragem de não explorar a escuridão dos outros.
Imagem: Pixabay

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