A bravura rejeitada: O custo do desprezo pelos aliados no Afeganistão

 


A memória da guerra é, por definição, um solo sagrado, mas para Donald Trump, parece ter sido apenas mais um cenário para o seu exercício narcisista. Quando falamos do Afeganistão, não falamos apenas de uma operação americana; falamos de uma coligação de nações que, unidas por um ideal de segurança comum, enviaram os seus filhos e filhas para um terreno onde o custo de vida era a única moeda de troca constante. 
Ao ignorar o sacrifício dos militares aliados, Trump não demonstrou apenas uma falha na diplomacia; demonstrou uma profunda falta de humanidade. A bravura não é um exclusivo da bandeira norte-americana. 
Nos vales de Helmand ou nas montanhas do Hindu Kush, o sangue derramado por soldados britânicos, canadianos, alemães, portugueses e tantos outros teve a mesma cor e o mesmo peso trágico para as famílias que ficaram à espera. 
Ignorar as famílias dos mortos não americanos é sugerir que a dor de uma mãe na Europa ou na Oceânia vale menos do que o cálculo político em Washington. 
A liderança exige, acima de tudo, a dignidade de reconhecer que ninguém vence sozinho. Ao desdenhar do esforço internacional no Afeganistão, o ex-presidente revelou uma incapacidade crónica de compreender o conceito de lealdade mútua. 
O "supremo sacrifício" de um soldado aliado não foi uma nota de rodapé na história dos EUA; foi o pilar que sustentou a missão. 
O desrespeito por essa memória não apaga o heroísmo de quem partiu, mas mancha indelevelmente a estatura de quem, do conforto de um gabinete, se sentiu no direito de os diminuir.


Imagem: Pixabay 

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2 Comentários

  1. A geografia do luto não conhece fronteiras. A bravura, tal como a perda, não tem nacionalidade; tem rosto, tem família e tem um vazio que nenhuma retórica política consegue preencher. Honrar o sacrifício dos aliados é, acima de tudo, um exercício de humanidade e de respeito pela verdade histórica.

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