A guerra vista do sofá

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Nos últimos anos, a Ucrânia tem resistido com coragem à invasão russa, e nós, do lado de cá, acompanhamos a luta com indignação e fervor. Mudámos as fotos de perfil nas redes sociais, enchemos as ruas em manifestações, partilhámos artigos e vídeos, convencidos de que o nosso apoio moral tem peso no desenrolar do conflito. Mas há uma questão incomoda que poucos se atrevem a fazer: Quantos de nós estariam dispostos a ir para a linha da frente?
 
É fácil ser herói à distância. Comentar e criticar estratégias militares na rede X, exigir mais apoio dos governos ocidentais, prometer “solidariedade incondicional” – tudo isso custa pouco. Mas quando se trata de passar das palavras à ação, a conversa muda de tom. Afinal, quem, entre os mais fervorosos apoiantes, estaria disposto a largar o conforto de casa, o salário fixo e os jantares de fim de semana para empunhar uma arma e lutar?
 
A verdade é que a nossa relação com a guerra é, em grande parte, virtual. Defendemos a causa ucraniana com a mesma intensidade com que torcemos por um clube de futebol ou discutimos a mais recente série da Netflix. E se alguém sugere um passo além do ativismo de sofá, rapidamente surgem as desculpas: “Não sei manusear uma arma”, “Tenho responsabilidades aqui”, “O que faço online também ajuda”.
 
Claro que não se pode exigir que todos os simpatizantes da causa ucraniana se alistem na Legião Internacional. Mas há uma hipocrisia latente na forma como exigimos sacrifícios dos outros sem estarmos dispostos a partilhar o peso. A guerra, para nós, é um espetáculo indignante, mas distante. Para os ucranianos, é uma realidade onde cada dia pode ser o último.
 
Se o nosso apoio se limita a hashtags e declarações inflamadas, talvez devêssemos ter um pouco mais de humildade antes de dar lições sobre coragem e resistência.
 
Imagem: Pixabay

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