A vigília do invisível

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Há um mal que não dorme. Não porque seja incansável, mas porque sabe o valor da espera. Instala‑se nos cantos escuros da vida, onde ninguém olha duas vezes, e lá permanece, paciente como quem sabe que o tempo trabalha sempre a seu favor. Não precisa de ruído para existir; basta‑lhe a distração humana, essa brecha que abrimos quando acreditamos que tudo está finalmente em paz.

O mal que espera não é o mais feroz, mas o mais persistente. Observa, recolhe, aprende. E quando encontra terreno fértil — um temor, uma dúvida, uma ferida antiga — germina sem pressa, como se cada gesto seu fosse parte de um plano maior. A sua força não está no ataque, mas na constância.

É imperioso manter a vigilância interior acesa, mesmo nos dias tranquilos. Porque o mal que não dorme não teme a luz; teme apenas ser visto antes de se tornar inevitável.

 

Imagem: Pixabay

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