
“Safári humano.”
Duas palavras que não deviam existir lado a lado, e no entanto, existiram. Que espécie de abismo moral é esse onde o sofrimento foi espetáculo, onde a morte de inocentes se tornou passatempo de fim de semana? Que prazer doentio é esse que leva alguém a viajar para assistir — ou participar — numa caçada a seres humanos?
Dizemos que somos civilizados, que evoluímos. Mas que civilização é essa que se diverte com o sangue, que fotografa o desespero, que transforma a dor alheia em entretenimento? A história repete-se, sempre com novas máscaras, sempre com o mesmo cheiro a carne queimada e a alma apodrecida.
Talvez o verdadeiro campo de batalha seja dentro de nós — onde a empatia luta, desesperadamente, contra a indiferença. E a pergunta permanece, como uma ferida aberta: até que ponto ainda somos humanos, quando a dor do outro já não nos dói?
Imagem: elpais.com
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