
O mixomiceto, essa poça ambulante de sabedoria sem cérebro, atravessa o mundo com a calma de quem já resolveu tudo o que tinha para resolver. Observa o alimento, calcula o trajeto mais curto e segue em frente, sem dramas, sem desvios existenciais e, sobretudo, sem reuniões de equipa.
O ser humano, por outro lado, nasce com um cérebro cheio de promessas e gasta metade da vida a ignorá-las. Perde-se em corredores de supermercado, em relacionamentos, em decisões simples como “levo guarda-chuva ou não?”, e muitas vezes segue o caminho mais longo só porque alguém disse na internet que era melhor.
Enquanto o mixomiceto avança silenciosamente para o seu objetivo, o humano tropeça nas próprias dúvidas, organiza comités internos para tudo, cria problemas que não tinha e, quando finalmente chega lá, pergunta-se se não deveria ter ido para outro sítio.
No fim, o organismo sem neurónios encontra o alimento.
O humano encontra complicações.
E a biologia, coçada atrás da orelha, começa a desconfiar que inteligência demais pode não ser tão prática assim.
Imagem: Portal do mundo
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