
Há uma solidão que nem o brilho do ecrã consegue apagar. As mensagens trocadas, as videochamadas a horas incertas, o som da voz filtrado por auscultadores... tudo isso ameniza, mas não cura. Porque há uma ausência que se instala no corpo como o frio — aquele que vem de não poder tocar, de não poder cheirar, de não poder simplesmente estar.
E mesmo quando as palavras são doces e os sorrisos atravessam mares em pixels frágeis, a saudade continua ali, intacta, do lado de cá do silêncio.
Mas um dia — enfim — ela regressa. A porta abre-se com o som mais esperado do mundo. Os olhos reencontram-se sem filtros. E o abraço... o abraço desfaz em segundos a distância dos dias. É então que se compreende: nenhuma tecnologia substitui o calor de quem se ama.
A solidão recua. Não porque desapareceu, mas porque, por fim, está onde devia estar: do lado de fora.
Imagem: Pixabay
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