
Há quinze dias que o céu deixou de ser apenas céu. Tornou-se palco de um combate feroz, onde o rugido dos aviões e o bater cadenciado dos helicópteros anunciam a esperança que voa. Recolhem água em Entre-os-Rios como quem recolhe vida, e regressam ao fogo como guerreiros alados, lançando sobre as chamas o peso do sacrifício de muitos.
O fumo ergue-se em muralhas densas, escondendo horizontes, engolindo casas, campos, memórias. O vento, impiedoso, dança com as labaredas numa coreografia de destruição. Mas ali, no coração da tormenta, estão eles — os bombeiros — homens e mulheres que não recuam, que transpiram coragem, que enfrentam o impossível com os pés cravados na terra e a alma firmada no dever.
Enquanto o mundo parece arder, há quem insista em salvar cada pedaço de vida, cada árvore, cada telhado, cada história. E é nesse esforço, que parece pequeno diante da vastidão do desastre, que reside a grandeza de um povo que resiste, que luta, que não se rende. Porque por trás de cada fumo espesso, há luz — a luz daqueles que, sem capas nem medalhas, são heróis de carne, osso e coração.
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