A urgência de abrandar: o valor de parar num mundo que não para

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Nesta vida, correr é regra e parar é heresia. A produtividade tornou-se religião. O descanso, um luxo. E o silêncio, um incómodo.
Mas será que nesta correria diária ainda sabemos o que estamos a fazer com a nossa vida?

O relógio não para, mas tu deves parar

Todos os dias acordamos com tarefas a cumprir, metas a alcançar, notificações a responder. A agenda cheia tornou-se símbolo de sucesso. E, no entanto, muitos vivem cansados, ansiosos, desconectados de si próprios.

Para. Sim, agora mesmo. Respira fundo.
Quando foi a última vez que te ouviste? Que escutaste o teu corpo, as tuas emoções, os teus silêncios?

A ilusão da urgência constante

Vivemos com a sensação de que tudo é urgente — responder a mensagens, concluir mais um projeto, manter a presença online, estar em todo o lado ao mesmo tempo.
Mas essa urgência é, muitas vezes, uma fuga. Fugimos de nós. Da solidão. Da verdade que o silêncio nos revela.

E nessa fuga, perdemos.

Perdemos o momento em que o sol nasce. Perdemos o brilho nos olhos dos nossos filhos. Perdemos a alegria nas pequenas coisas: o sabor do café, o cheiro da terra molhada, o toque de quem amamos.

Parar é um ato de coragem

Abrandar não é desistir. É um gesto de inteligência emocional.
É saber que o descanso não é preguiça — é autocuidado. Que o silêncio não é vazio — é espaço para nos reencontrarmos.

Vivemos tão focados em chegar, que esquecemos de viver o caminho.
Mas a vida não acontece quando alcançamos tudo. Acontece agora. Nos intervalos. Nas pausas. Nos instantes em que finalmente somos… e não apenas fazemos.

E tu, quando foi a última vez que paraste?

O convite de hoje é simples e poderoso:
abranda.
Fecha os olhos por um minuto. Sente o teu corpo. Deixa o mundo lá fora e entra dentro de ti.

Cuida de ti como cuidas de tudo o resto. Dá-te o direito de parar sem culpa.
Porque o mundo não vai desabar se descansares um pouco. Mas tu podes desabar se não o fizeres.

Que tal começares agora? Cinco minutos de silêncio. Só teus. Só para ti.
Depois volta aqui e conta: o que sentiste ao parar?

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