
O que é crescer sem infância?
Gritamos por paz em debates, fóruns e hashtags. Mas, longe das câmaras e manchetes que vão mudando, há crianças a crescer em silêncio, entre os escombros daquilo que devia ser a sua infância.
Onde antes havia brinquedos, agora há destroços. Onde havia escolas, agora há abrigos improvisados.
Onde devia haver sono tranquilo… há medo.
Infâncias interrompidas
Para uma criança, a guerra não é geopolítica.
É fome. É ruído. É medo constante.
É o pai que não voltou. A mãe que já não canta. O amigo que desapareceu. O caderno que ficou para trás quando fugiram.
É o frio da fuga. O chão duro do abrigo.
É brincar com pedras porque não há mais nada.
A guerra destrói edifícios, sim. Mas destrói algo mais invisível e profundo: a possibilidade de uma memória feliz.
Os traumas que ninguém vê
Muitos dos efeitos de uma guerra não explodem — silenciam.
Ficam entranhados nos corpos pequenos, nos olhares vazios, nos comportamentos ansiosos.
São pesadelos recorrentes. Medos inexplicáveis. Dificuldades de confiar. Dificuldades em ser criança.
E o mundo, saturado de imagens, muda de canal.
Mas eles continuam lá.
Sobrevivem, sim. Mas crescer não é só sobreviver.
E nós, o que fazemos com isto?
Não podemos parar bombas. Mas podemos parar a indiferença.
Podemos falar sobre isto, escrever sobre isto, lembrar que há nomes e histórias por detrás das estatísticas.
Podemos apoiar ONGs sérias. Podemos exigir políticas que protejam civis. Podemos recusar normalizar o sofrimento infantil como “colateral”.
O silêncio também mata.
A omissão também fere.
E o nosso conforto nunca devia ser mais importante do que a dignidade de uma criança.
Porque nenhuma infância devia ser feita de medo.
E tu, já olhaste para Gaza ou para Ucrânia com olhos de criança?
Partilha. Escreve. Acorda consciências. Porque o mundo precisa de mais vozes que não se calem perante a dor dos inocentes.
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