Tuvalu e a inação humana

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As águas avançam em Tuvalu com a frieza de um destino anunciado. A cada maré alta, um pedaço da ilha desaparece, como se a Terra estivesse a apagar uma memória que o mundo teima em ignorar. Casas transformam-se em ruínas salgadas, coqueiros tombam com as raízes expostas, e os habitantes — poucos e resistentes — veem o seu chão tornar-se mar.

Tuvalu não é apenas uma ilha; é um aviso. Uma voz abafada que sobe de tom, transformando-se num grito que ressoa entre as conferências vazias, os relatórios engavetados e as promessas adiadas. O mundo observa, mas não se move com urgência. Distraído pelos lucros e pela conveniência, o homem esquece que também vive numa ilha — chamada planeta.

As alterações climáticas não são uma teoria, são uma realidade líquida que sobe pelas pernas de Tuvalu e ameaça afogar a esperança. E no entanto, o curso continua. Aviões cruzam os céus, fábricas exalam o seu hálito quente, florestas caem como se fossem descartáveis. O ritmo da inação é constante, confortável, quase cúmplice.

Tuvalu afunda-se devagar, mas não sozinha. Afunda-se com ela uma parte da nossa humanidade, da nossa responsabilidade partilhada. E um dia, quando as águas chegarem às nossas portas, talvez seja tarde demais para ouvir o que ela tentou dizer.

 

Imagem: Mar sem fim

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