
Descobri, após longos anos de tentativas frustradas de salvar almas perdidas e endireitar egos tortos, que a melhor maneira de lidar com os outros é simples: deixá-los mergulhar no conforto da própria ilusão. Se o sujeito acha que é um génio incompreendido, pois bem, aplaudo com entusiasmo e mordo a língua. Se o fulano se acha um líder nato só porque berra mais alto que os outros, deixo-o desfilar na sua passadeira de mediocridade com coroa de lata e tudo. Quem sou eu para tirar a alegria de um idiota bem resolvido?
Poupei discussões, rugas e talvez até uma ou duas úlceras. A verdade é que há uma paz deliciosa em deixar cada um no seu delírio pessoal. Eles ficam felizes, eu fico são. É um pacto silencioso de sobrevivência social: tu finges que és o que pensas ser, eu finjo que acredito, e no fim todos ganham — especialmente eu, que já não perco tempo a tentar desiludir quem se agarrou à própria fantasia como se fosse um colete salva-vidas.
Moral da história? A lucidez é solitária, mas dormir com a consciência tranquila é um luxo que só os cínicos bem-humorados conhecem.
Imagem: Pixabay
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