
Vivia eu aqui, descansado, em Rio de Moinhos — este recanto pacato onde o tempo anda devagar e os vizinhos ainda dizem bom dia — paredes meias com um criminoso da mais ignóbil condição. E eu, pobre alma tranquila, nada sabia. Partilhávamos talvez a mesma linha de água, o mesmo padeiro, o mesmo silêncio cúmplice das noites de verão. Quem diria?
Quem diria que enquanto eu regava as minhas hortênsias e me queixava do preço da eletricidade, o vizinho do lado andava a fugir da justiça brasileira, com crimes tão hediondos que fariam corar até o diabo (condenado no Brasil a uma pena de 18 anos de prisão por crimes sexuais contra menores).
A vida tem destas ironias: a gente preocupa-se com os buracos na estrada, mas o verdadeiro perigo está de pantufas ao nosso lado, com aspeto de quem só quer ver a bola e beber uma mini.
Fico só a imaginar o momento em que foi detido. Espero que ao menos tenha regado as plantas antes de sair.
Imagem: Novum Canal
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