
A escuridão do pensamento pode ser mais cega do que a noite sem estrelas, porque nela não há apenas ausência de luz — há ausência de clareza, de sentido, de direção.
A noite, por mais densa que pareça, ainda guarda o murmúrio do mundo, o sussurro das folhas, a certeza do amanhecer. Já a mente mergulhada na penumbra do desespero ou da ignorância torna-se um labirinto sem saída, onde cada passo é um eco sem resposta. É ali que se escondem os medos mais profundos, os preconceitos cultivados no silêncio, a negação do que é humano.
Para sair dessa escuridão, não basta abrir os olhos: é preciso ter coragem para pensar, questionar, transformar.
Essa escuridão interior é traiçoeira porque se disfarça de certeza. Confundimos hábito com verdade, repetição com sabedoria, e acabamos por aceitar como natural aquilo que, na realidade, é fruto de medo ou conformismo. Quando o pensamento se fecha, o mundo encolhe, e tudo o que não compreendemos torna-se ameaça.
Sem reflexão, caímos na cegueira do julgamento fácil, da indiferença perante o sofrimento alheio, da apatia que mata em silêncio. Por isso, pensar — pensar verdadeiramente— é um ato de coragem. É lançar luz onde dói ver, é aceitar que podemos estar errados, é permitir que a dúvida nos torne mais humanos. Porque até a noite mais escura é menos perigosa do que uma mente que se recusa a despertar.
Imagem: Pixabay
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