
Entre o silêncio e a palavra mora a verdade que poucos querem ouvir.
É nesse intervalo invisível — no respiro antes da confissão, no olhar que hesita, na garganta que seca e engasga — que se esconde o que mais importa. O silêncio pode ser escudo ou cárcere, a palavra pode libertar ou ferir, mas é entre ambos que habita aquilo que nenhum dos dois contém por completo: a verdade nua, incómoda, sem adornos.
Muitos evitam-na, não por ignorância, mas por temor. Porque encarar a verdade exige despir-se das ilusões, abdicar das versões confortáveis da realidade. E há um preço alto em ouvir o que desmonta certezas e expõe fragilidades.
Talvez por isso preferimos o ruído — falas vazias, discursos ensaiados, silêncios cúmplices — a atravessar o estreito e corajoso caminho onde mora a verdade. Aquele lugar entre o que se cala e o que se diz, onde só entra quem tem coragem de escutar com o coração despido.
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