Quando o sol pesa: O calor que nos rouba a alma

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Ontem o calor caiu como uma sentença. Não era apenas o sol a bater — era um peso, uma pressão invisível que esmagava o peito e derretia os pensamentos. O ar parecia colado ao corpo, espesso como óleo, e cada movimento tornava-se uma tarefa hercúlea. Os rostos, normalmente vivos e expressivos, tornaram-se máscaras de cansaço, moldadas pelo suor e pela irritação.

Nas ruas, a paciência derretia mais depressa do que o alcatrão sob os pneus. Um olhar torto bastava para acender discussões; um toque acidental, para incendiar ânimos. A mente, abafada e lenta, tropeçava em raciocínios simples. Era o corpo inteiro em protesto — músculos rendidos, pulmões preguiçosos, corações a bater mais por esforço do que por vontade.

Neste calor, até os sorrisos murcham. Tudo é demais. Tudo cansa. E o mais inquietante de tudo é saber que não há fuga possível — apenas resistir, secar o suor, e esperar que o sol se lembre de poupar-nos, amanhã.

 

Imagem: Pixabay

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