Ontem, o céu pareceu compreender-nos.
Depois de dias de ameaça cinzenta, de vento e chuva persistente, o mau tempo fez uma pausa, quase como quem, cansado de impor respeito, decide conceder misericórdia. E nessa trégua breve, mas generosa, coube um mundo inteiro de cor.
Em Rio de Moinhos, os foliões não hesitaram. Agradeceram e saíram à rua como se cada passo fosse também um gesto de gratidão. O corso carnavalesco serpenteou pelas artérias da terra com o entusiasmo de sempre, mas com uma chama especial: a de quem sabe que a alegria, por vezes, depende de uma simples aberta no céu.
Entre máscaras, brilhos e fantasias, a zona da Agrela destacou-se com fulgor. Superou-se no traje, irrepreensível no detalhe; na coreografia, firme e vibrante; e no som, que ecoou com energia contagiante, como se quisesse agradecer também ele à clemência das nuvens. Houve ali dedicação, criatividade e aquele orgulho saudável que faz crescer uma comunidade.
O Carnaval é efémero, como a bonança que o permitiu. Mas fica a memória, porque essa não se dissipa com o vento.
Parabéns a todos os envolvidos. Porque, quando o céu abranda, é o povo que floresce.


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