O racismo não nasce no grito, mas no silêncio. Não começa no insulto, mas na ideia de que alguém vale menos por ter nascido diferente. É uma construção invisível que se infiltra nos gestos, nas piadas, nas escolhas, nas omissões. É uma ferida aberta que muitos fingem não ver, sobretudo quando não é na própria pele que arde.
O racismo é a recusa da humanidade do outro. É transformar cor em culpa, origem em sentença, cultura em estigma. Ele alimenta-se do medo e da ignorância, mas sustenta-se sobretudo na indiferença.
Há cicatrizes que o tempo fecha. Outras permanecem como marcas de um passado que insiste em repetir-se. O racismo é uma dessas cicatrizes sociais: atravessa gerações, molda destinos, limita sonhos. Não é apenas um ato isolado de ódio; é um sistema que distribui privilégios e nega oportunidades com base em critérios arbitrários.
Combatê-lo exige mais do que leis — exige consciência. Mais do que discursos — exige escuta. Exige a coragem de reconhecer que a igualdade não é uma concessão, mas um direito. E que nenhuma sociedade pode dizer-se justa enquanto aceitar que a dignidade tenha tonalidades.
O primeiro passo é simples e profundo: ver no outro não um rótulo, mas um reflexo.
Imagem: Pixabay

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