O dia em que o sol se escondeu demais

 


Este ano o inverno parece pesar mais do que devia, como se o céu cinzento se sentasse nos nossos ombros. A chuva cai sem pressa, repetitiva, e a tristeza instala-se quase sem pedir licença. Não é uma dor profunda, mas um cansaço — um “já chega” silencioso que todos sentimos. 
Andamos fartos desta melancolia húmida. O corpo pede luz, a pele reclama vitamina D, e a alma suspira por um raio de sol que nos aqueça por dentro. Queremos abrir a janela e sentir que o mundo voltou a sorrir. Queremos dias que brilhem, mesmo que não sejam perfeitos. 
Mas é isto mesmo que o inverno nos ensina: só percebemos a falta quando a luz se afasta. E, enquanto o sol não rompe este cinzento teimoso, vamos guardando a certeza de que ele regressa sempre.

Imagem: Pixabay

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