O silêncio de quem compreende

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“Aprendi a não tentar convencer ninguém.” — esta frase, simples e densa, é um convite à humildade e à liberdade. Quantas vezes, na ânsia de termos razão, tentamos impor o nosso olhar ao mundo? Quantas vezes confundimos partilhar com dominar, ensinar com subjugar? Convencer, diz Saramago, é um ato de colonização — e o é, porque invade o território íntimo do outro, a sua história, as suas crenças, o modo como vê e sente o universo.

Mas se não devemos convencer, o que nos resta? Resta-nos o diálogo. Resta-nos o exemplo silencioso que fala sem exigir eco. Resta-nos a escuta verdadeira, essa arte rara de quem não procura resposta, mas entendimento. Convencer é um gesto de poder; compreender é um gesto de amor. E talvez seja esse o verdadeiro caminho — não o de vencer o outro com argumentos, mas o de caminhar ao seu lado, ainda que em direções diferentes.

 

Imagem: Observador

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