
Às vezes, as palavras pesam mais do que o silêncio. Quando alguém próximo enfrenta uma doença grave — ou quando a dor atinge um dos seus — descobrimos que a língua tropeça, que as frases que antes pareciam simples agora se escondem atrás do receio. Receio de dizer o que magoa, de parecer banal perante o sofrimento, de invadir um espaço que não sabemos se nos pertence.
A verdade é que, por mais íntima que seja a relação, a dor do outro é sempre um território delicado. Aproximamo-nos com cuidado, como quem pisa chão instável, e muitas vezes ficamos presos entre o impulso de consolar e o medo de fracassar. O que dizer a alguém que olha o futuro com incerteza? Como oferecer conforto sem cair em clichés que soam vazios?
Compreendemos bem que falar não é apenas usar palavras. É estar presente, mesmo quando a voz falha. É aceitar que não temos respostas, mas temos presença. E que, por vezes, um gesto silencioso — um olhar, uma mão que se estende, um “estou aqui” sussurrado — diz exatamente aquilo que o coração, desajeitado, tenta em vão encontrar forma de expressar.
Imagem: Pixabay
0 Comentários
Muito obrigado pelo seu comentário.