O dia em que DeMille se despediu

 

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Recebi "O Jogo do Leão", de Nelson DeMille, no dia em que ele morreu. Um gesto irónico do destino, como se a despedida do autor viesse acompanhada da sua voz mais viva, impressa em páginas que ardem de tensão e inteligência. Comecei a leitura com o peso da perda e fui imediatamente agarrado pela mestria do enredo.

É um livro muito bom — e não apenas por ser emocionante, mas porque é profundamente humano na forma como retrata o jogo de sombras entre caçador e presa. O protagonista, John Corey, é irónico, sagaz, cansado do sistema mas fiel ao que sente ser justo. O antagonista, o implacável terrorista conhecido como o Leão, é uma figura quase mitológica, fria, calculista, brilhante. O confronto entre os dois é mais do que uma perseguição física: é um duelo de vontades, ideologias e naturezas opostas.

DeMille não se limita a criar suspense; ele constrói tensão com camadas de crítica política, humor negro e um olhar atento sobre a fragilidade da segurança moderna. A escrita é ágil, o ritmo é certeiro, e a história, embora ficcional, ressoa com ecos inquietantes do mundo real.

Ler este livro no dia da morte do autor foi como ouvir uma última confidência. Uma despedida em forma de narrativa. E que grande história ele nos deixou.

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