A autonomia que envergonha: o riso nervoso de uma Europa insegura

 daf0b292-59a4-408b-a242-4f88e215d13a.png

 

A Europa fala com ela própria como quem se observa num espelho rachado. De um lado, repete-se o mantra da emancipação, da autonomia estratégica, da necessidade de caminhar com os próprios pés. Do outro, ri-se nervosamente sempre que alguém ousa dizer isso em voz alta, como se a palavra “independência” fosse uma fantasia embaraçosa, boa apenas para colunas de opinião e seminários académicos.

Os líderes e comentadores europeus exercitam um pensamento esquizofrénico: defendem a maioridade do continente, mas castigam quem tenta agir como adulto. Aplaudem a ideia abstrata de uma Europa soberana, mas zombam do político concreto que a verbaliza, acusando-o de ingenuidade, populismo ou heresia atlântica. É como se a Europa desejasse libertar-se, mas temesse profundamente o silêncio que viria depois da tutela.

Esta contradição revela mais medo do que estratégia. A dependência transformou-se em hábito, e o hábito em virtude disfarçada. Questioná-la expõe a fragilidade do consenso e a pobreza do debate. Assim, a Europa continua a ensaiar discursos de emancipação enquanto se refugia no conforto da obediência, rindo de si própria para não ter de decidir quem quer realmente ser.

 

Imagem gerada por IA

Enviar um comentário

0 Comentários