
Sob o céu imenso de Chiang Mai, quando a noite se abriu em estrelas, ergui entre as mãos a lanterna que guardava tudo o que não podia dizer em voz alta. À minha volta, centenas de luzes tremulavam como pequenos corações a despertar, mas foi naquele instante — ali, ao lado da minha linda feiticeira — que senti o verdadeiro sentido de libertação.
Quando a chama tocou o papel e a lanterna começou a subir, imaginei que ela levava com ela cada sombra que se tinha colado à minha vida: os medos antigos, as dores que não confessei, os pesos que trago pelos meus e por aqueles que caminham comigo à distância — amigos, leitores, almas irmãs. Desejei-lhes luz, serenidade, abrigo. Desejei que cada um encontrasse o caminho onde a alma respira mais livre.
E assim, lanterna após lanterna, deixei partir tudo o que já não me pertencia. O céu encheu-se de esperança e, por um breve momento, senti-me parte de algo maior — de um fôlego de renascimento que beijava a noite inteira.
Quando a última lanterna desapareceu no escuro, percebi que não era apenas o mundo que se iluminava: era eu também. E levei comigo a certeza de que a luz que libertamos pelo bem dos outros acaba sempre por encontrar o caminho de volta até nós.
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