Crónicas da casa de banho

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Quem diria que um dia haveria de chegar o Dia Mundial do WC — a verdadeira celebração de um templo onde Portugal, silenciosamente, medita, filosofa e faz scroll nas redes sociais.

Afinal, somos um povo que discute obras públicas, mas que vibra mais com a inauguração de uma casa de banho limpa do que com uma autoestrada nova. Nada nos orgulha tanto como um WC impecável: mosaico sem manchas, torneira que não pinga e, sobretudo, o Santo Graal da pátria — o rolo de papel higiénico intacto, gorducho, quase majestoso, digno de ser exibido como troféu.

Há quem diga que os portugueses partilham uma paixão inexplicável por este objeto. Talvez seja porque, num país onde tantas coisas falham, o papel higiénico é das poucas certezas que ainda sobra. Redondo, macio e sempre pronto para nos ajudar a resolver… os grandes problemas da vida.

E assim se celebra mais um dia em que o mundo olha para o WC com espanto, enquanto nós, portugueses, sorrimos com aquele ar de quem sempre soube que este era, afinal, o verdadeiro centro civilizacional da humanidade. Afinal, não há nada mais democrático do que uma boa ida à casa de banho — e nada mais português do que falar disso com orgulho.

 

Imagem: Pixabay

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