
No Norte cozinha-se com alma — não apenas com mãos habituadas ao forno e ao lume, mas com memórias, com afetos, com uma generosidade que se serve sem medir.
E não será essa frontalidade, essa arte de bem receber e de fazer da mesa um lugar sagrado, aquilo que verdadeiramente engrandece um povo?
E que dizer das tascas? Esses pequenos templos onde o tempero é verdade, onde o tacho fala mais alto do que qualquer discurso, onde a comida chega à mesa quente, farta e honesta. Quem já provou uma patanisca feita com amor, um caldo verde da panela da avó, ou um rojão que quase conta histórias ao paladar, sabe que ali vive a essência do Norte. É nas tascas que se sente o pulsar do povo, a simplicidade que alimenta a alma e a tradição que nunca se perde.
Por isso, sim, tenho orgulho em ser nortenho. Orgulho no modo como caminhamos de cabeça erguida, como defendemos o que somos, como cozinhamos, acolhemos e falamos — sempre de verdade. Porque o Norte não é apenas um lugar: é uma forma de estar que me corre nas veias.
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