A verdade vai a banhos

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Mentem os políticos porque a verdade, coitada, anda sempre malvestida e não rende votos. A mentira, ao contrário, desfila com gravata nova, promete mundos e fundos e ainda distribui sorrisos como quem oferece rebuçados a crianças. O eleitor finge acreditar, porque também prefere o consolo da ilusão à bofetada da realidade. Assim, o político mente para se manter no palco, e o povo aplaude para não ter de sair da plateia.

E quando a mentira se gasta, o político não se dá por vencido: inventa outra, embrulhada em novas palavras, com laço de modernidade e selo de urgência nacional. É um ciclo quase poético — prometer, enganar, disfarçar, repetir — e todos participam no bailado, como se fosse uma tradição sagrada. Talvez a maior mentira não seja a que sai da boca do político, mas a que o povo conta a si mesmo: “Desta vez será diferente.”

No fundo, ambos sabem do engano — mas um chama-lhe “estratégia” e o outro, resignado, chama-lhe “esperança”.

 

Imagem: Pixabay

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