
Um erro repetido mais de uma vez é decisão.
No início, tropeçamos por descuido, por ingenuidade ou falta de experiência. O erro, nesse estado bruto, é ainda inocente. Mas quando o repetimos — uma, duas, três vezes — ele deixa de ser acidente e passa a ser escolha. É nesse ponto que revelamos não apenas o que fazemos, mas quem somos.
A consciência transforma o tropeção em caminho, e a reincidência dá-lhe direção. É como insistir em tocar uma ferida aberta: sabemos que dói, sabemos que sangra, mas ainda assim vamos lá, com os dedos teimosos da vontade ou da negação.
Talvez porque o erro nos oferece algo — conforto, controlo, ou simplesmente a ilusão de que nada precisa mudar. Mas a verdade é que, ao repetir um erro, estamos a escolher permanecer no mesmo lugar, a recusar a aprendizagem, a resistir à transformação.
E, no fundo, não há erro que o tempo não revele como espelho. E o espelho não mente: ele devolve-nos, nítida, a imagem da nossa decisão.
Imagem: Pixabay
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