
Se soubessem quantas vezes vesti o meu medo de coragem, talvez entendessem que a bravura não nasce da ausência de temor, mas da decisão silenciosa de continuar, mesmo com o coração a tremer.
Quantas vezes caminhei com os joelhos vacilantes, a alma apertada e o peito sufocado por incertezas — e mesmo assim avancei. Não porque era forte, mas porque a vida exigia mais do que a minha vontade de recuar. Vesti o medo como se fosse armadura, pintei o rosto de firmeza e enfrentei o mundo com passos que só eu sabia quão frágeis eram.
Há uma dignidade serena em quem segue em frente quando tudo dentro grita para parar. E há uma beleza discreta em quem se levanta, vez após vez, com os olhos marejados, mas o espírito intacto.
Porque coragem não é não sentir medo. Coragem é ser mais teimoso do que ele.
Imagem: Pixabay
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