
Existem almas, disso não duvido, que caminham entre nós como sombras densas, não porque tenham morrido, mas porque nunca souberam realmente viver. Não sei se são penadas — talvez sejam apenas prisioneiras de si mesmas —, mas de uma coisa tenho certeza: não são boas.
Não se alegram com a luz, não se comovem com a beleza, não se elevam com a alegria alheia. Antes rastejam pelos cantos do dia, sugando tudo o que é leve, tudo o que é esperança. Trazem um veneno subtil na palavra e um frio cortante no olhar. Não gritam, mas a sua presença grita dentro de nós, como uma angústia sem nome.
Quem se cruza com elas sente-se drenado, como se a própria alma tivesse sido puxada para um nevoeiro pesado e denso. É um cansaço que não se explica, uma tristeza que não se justifica. Porque elas não precisam levantar a voz — basta existir para contaminar o ar que respiramos.
Talvez não saibam o que fazem, ou talvez saibam demasiado bem. Mas o resultado é o mesmo: são presenças que empobrecem o mundo. Não porque estejam perdidas… mas porque se recusam a encontrar-se.
Imagem: Pixabay
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